O cinema de Aki Kaurismäki chega ao Rio em uma retrospectiva que reúne, pela primeira vez no Brasil, os 18 longas de ficção realizados pelo diretor finlandês para as telas de cinema. De 17 a 23 de setembro, a Estação Claro Rio e a Estação Claro Gávea recebem a Retrospectiva Aki Kaurismäki, que apresenta uma seleção produzida ao longo de quatro décadas de carreira.
Depois de passar por São Paulo e Brasília com sessões lotadas, a mostra chega à cidade como parte da programação oficial da Semana de Arte da Secretaria Municipal de Cultura. A curadoria é do cineasta brasiliense Gustavo Galvão, com produção da cineasta gaúcha Cristiane Oliveira.
Conhecido pelo humor seco, pelos diálogos econômicos e pelo rigor visual, Kaurismäki construiu uma filmografia marcada por personagens à margem, entre trabalhadores, desempregados, imigrantes e outros excluídos do sistema. Em seus filmes, situações cotidianas podem ganhar contornos absurdos sem que o diretor abandone um olhar atento para as dificuldades e a dignidade de seus personagens.
De Cannes a filmes cultuados
A programação inclui títulos premiados como Folhas de Outono, vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2023; O Outro Lado da Esperança, que rendeu ao diretor o prêmio de Melhor Direção no Festival de Berlim de 2017; O Porto, vencedor do FIPRESCI em Cannes em 2011; e O Homem sem Passado, que recebeu três prêmios em Cannes em 2002.
A retrospectiva também recupera filmes menos conhecidos e cultuados internacionalmente. Entre eles estão Sombras no Paraíso, Ariel, A Garota da Fábrica de Caixas de Fósforos, Contratei um Matador Profissional e A Vida Boêmia, muitos deles inéditos no circuito local.
Para Gustavo Galvão, a assinatura do diretor finlandês é reconhecida imediatamente. “é um caso emblemático de autor de cinema, em que basta um plano, ou até um fotograma, para revelar sua identidade, seu caráter e sua coerência artística”, afirma o curador.
O estilo de Kaurismäki, segundo Galvão, combina filmes “frios no estilo, mas afetuosos com os tipos que aborda”. A partir dessa aparente contradição, o cineasta transita entre drama, humor e nonsense, mantendo como pano de fundo um olhar social sobre aqueles que vivem à margem.
Mais de 5 mil espectadores em São Paulo
A retrospectiva foi apresentada inicialmente no CineSesc, em São Paulo, entre 30 de julho e 12 de agosto. A procura levou a sessões esgotadas e mais de 5 mil espectadores ao cinema da Rua Augusta.
Das 18 cópias exibidas na mostra, 17 foram cedidas pela Finnish Film Foundation e receberam legendas em Brasília. A realização brasileira é da Crisol Filmes, com colaboração da finlandesa Nordicamerica.
Patrocinada pela Claro, a iniciativa conta ainda com recursos da Lei Rouanet, mecanismo do Governo Federal voltado ao incentivo e à valorização da cultura brasileira.
Lista de Filmes:
Crime e Castigo (Aki Kaurismäki, 1983), com 93 min.
Calamari Union (Aki Kaurismäki, 1985), com 81 min.
Sombras no Paraíso (Aki Kaurismäki, 1986), com 74 min.
Hamlet Vai à Luta (Aki Kaurismäki, 1987), com 89 min.
Ariel (Aki Kaurismäki, 1988), com 72 min.
Os Leningrad Cowboys vão para a América (Aki Kaurismäki, 1989), com 79 min.
Contratei Um Matador Profissional (Aki Kaurismäki, 1990), com 80 min.
A Garota da Fábrica de Caixas de Fósforos (Aki Kaurismäki, 1990), com 69 min.
A Vida Boêmia (Aki Kaurismäki, 1992), com 103 min.
Os Leningrad Cowboys Encontram Moisés (Aki Kaurismäki, 1994), com 93 min.
Cuide do seu Lenço, Tatjana (Aki Kaurismäki, 1994), com 62 min.
Nuvens Passageiras (Aki Kaurismäki, 1996), com 95 min.
Juha (Aki Kaurismäki, 1999), com 78 min.
O Homem Sem Passado (Aki Kaurismäki, 2002), com 97 min.
Luzes na Escuridão (Aki Kaurismäki, 2006), com 77 min.
O Porto (Aki Kaurismäki, 2011), com 93 min.
O Outro Lado da Esperança (Aki Kaurismäki, 2017), com 100 min.
Folhas de Outono (Aki Kaurismäki, 2023), com 81 min.
Serviço:
Retrospectiva Aki Kaurismäki
Quando: 17 a 23 de setembro
Onde: Estação Claro Rio e Estação Claro Gávea
Programação: no perfil oficial da retrospectiva no Instagram.