Mais de quatro décadas depois da primeira edição, o Rock in Rio recebe um público que vai muito além do jovem "festivaleiro". São diferentes gerações, perfis e necessidades que fizeram o festival ampliar sua forma de receber os fãs e adaptar sua estrutura ao longo dos anos. Para Roberta Medina, vice-presidente executiva da Rock World, acompanhar essa transformação é um dos desafios de cada edição.
“A gente trabalha com vários perfis de pessoas no festival e, à medida que os anos foram passando, com várias gerações, como o público mais velho e as crianças. Uma coisa é o ‘festivaleiro’ jovem, que topa tudo. Outra coisa é o público que não é um típico ‘festivaleiro’ ou já tem um outro nível de exigência de qualidade: quer comer bem, quer chegar tranquilo, não quer passar perrengue. Criança você não leva para passar perrengue, né?”.
Segundo Roberta, essas mudanças também aumentaram as exigências para que diferentes públicos se sintam acolhidos na Cidade do Rock.
"Isso vai trazendo exigências para que a gente possa dizer: 'Cara, vocês são bem-vindos, a gente está preparado'. E isso envolve tudo que é feito de acessibilidade e de inclusão. Cada edição, tem mais cadeirantes, mais pessoas com problemas de visão ou de audição. Tem a sala de sensibilização sensorial para acolher os neurodivergentes. Isso faz com que a diversidade interna vá crescendo cada vez mais, e essa é a nossa intenção. Dá para dar conta de todo mundo? Não dá".
Além de adaptar a estrutura para diferentes gerações e necessidades, o Rock in Rio também criou espaços com propostas distintas de conforto e experiência. É o caso da área VIP e da Comfort Zone, que, segundo Roberta, atendem a públicos com expectativas diferentes.
“A Comfort Zone, assim como a VIP, são respostas a outros públicos. A VIP nasceu no Rock in Rio em 2001, para a gente poder receber os patrocinadores. Não era nada diferente disso. Então, ela vai atendendo a públicos diversos. E a Comfort Zone é um espaço: ‘Olha só, eu quero ir, eu quero assistir, mas eu quero um pouquinho mais de conforto, ter uma vista mais garantida ali do Palco Mundo’. E não é na frente do palco, é mais de lado, tem bares exclusivos, tem banheiro exclusivo. É para essa galera que quer um pouquinho mais, que está disposta a investir um pouquinho mais por um serviço um pouquinho mais sofisticado”.
Roberta compara essa lógica à diferença entre os serviços de transporte oferecidos para chegar à Cidade do Rock.
“Então, é a mesma coisa entre o BRT e o Primeira Classe. Quem quer um pouquinho mais de conforto, talvez agora o BRT tenha ar-condicionado e tal. Mas quem quer um pouquinho mais de conforto, quem não está habituado a pegar o transporte público, o Primeira Classe dá uma segurança. É marcado igual a avião. Isso vai fazendo com que pessoas com hábitos diferentes possam vir frequentar o festival. A gente vai tomando mais espaço”.
LEDs ampliam as possibilidades visuais do Palco Mundo
Uma das novidades do Palco Mundo nesta edição é o uso de uma grande estrutura de LEDs, que amplia as possibilidades visuais dos shows. Para Roberta, a tecnologia também permite que cada artista explore o palco de uma maneira diferente.
“Os artistas começaram a usar cada vez mais LEDs, os festivais começaram a fazer isso também, porque a tecnologia do LED abre milhões de possibilidades. Eu acho que a beleza de trazer a tecnologia e um palco tão grande de LEDs é que cada artista vai construir o seu palco. Em termos de talento e criatividade, dá muitas possibilidades. E acho que vai ser marcante e, para quem está assistindo, vai ser... E eu adorei ver, por exemplo, que o Pedro Sampaio botou um 'teaserzinho'. Ele vai provocar muito a galera com isso. Então, vai ser bacana ver como é que cada um deles vai usar a tecnologia a seu favor”.
Elton John e Stray Kids simbolizam diferentes gerações de fãs
O cantor Elton John, por exemplo, reuniu na apresentação de segunda-feira (07/09) parte do público que acompanha o Rock in Rio desde as primeiras edições. Já a apresentação do Stray Kids, nesta sexta-feira (11/09), promete atrair uma nova geração de fãs. Segundo Roberta, o desafio é oferecer espaço para que diferentes públicos continuem aproveitando o entretenimento e a música:
“E a vida? E o entretenimento? E o espaço para a gente continuar curtindo aquilo que a gente gosta? Então eu acho que o dia do Elton John trouxe essa galera que fundou o Rock in Rio com a gente e que veio celebrar, que traz famílias sempre também, é muito gostoso. O dia dos Stray Kids vai trazer uma galera nova. Hoje, o consumo de música, assim, ninguém pede licença. As crianças não pedem licença para conhecer um artista. A gente não tem que apresentar um artista para as crianças, elas descobrem. Elas também querem fazer parte. E aí cabe às organizações que estão dispostas a acolher esse público preparar a infraestrutura para estar à altura dos serviços que são esperados”.
O futuro do festival passa pela capacidade de acolher públicos cada vez mais diversos, com diferentes expectativas, idades e necessidades, com novas soluções de acessibilidade, conforto, mobilidade e tecnologia. Sem esquecer o principal objetivo do evento: criar espaço para que diferentes gerações possam continuar vivendo a experiência da música e do entretenimento.