Um dos mais antigos marcos religiosos do Morro da Providência, na Região Portuária do Rio de Janeiro, será devolvido à comunidade após passar por uma restauração. O Oratório da Providência será reinaugurado no dia 14 de setembro, às 12h.
A concentração será às 11h30, na Igreja de Nossa Senhora do Livramento, na Ladeira do Barroso, 113. De lá, os participantes seguirão até o Oratório, localizado no ponto mais alto do morro, na Ladeira do Barroso, sem número.
Também conhecido como Capela das Almas, o pequeno templo pertence à Paróquia Sagrada Família, no bairro da Saúde. O imóvel é tombado pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) desde 1986.
Construção começou na passagem para o século XX
Documentos reunidos durante o trabalho de preservação indicam que o monumento foi construído entre 1900 e 1901. Seu nome original era Santuário do Cristo Redentor.
No frontispício havia a inscrição “A JESUS CHRISTO”, posteriormente perdida. A cruz instalada na parte superior da construção também desapareceu ao longo do tempo.
Registros do semanário católico O Apóstolo, publicados em dezembro de 1900, ajudam a contar os primeiros capítulos dessa história. O periódico noticiou a construção de uma grande cruz no Morro da Providência para marcar a passagem do século e representar a devoção popular a Jesus Cristo Redentor.
A inauguração estava prevista para 1º de janeiro, às 17h, com a bênção de Dom Joaquim Arcoverde, então arcebispo do Rio.
Fotografias de Augusto Malta também registraram o Oratório no início do século XX. Na época, a construção aparecia quase isolada no alto do morro. Com a ocupação da região nas décadas seguintes, o templo passou a fazer parte da paisagem urbana da comunidade.
Árvore encobria parte da construção
A situação do imóvel ganhou a atenção da comissão responsável pela preservação do patrimônio histórico e cultural da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Uma vistoria realizada em 1º de agosto de 2024 constatou a necessidade urgente de obras.
O levantamento foi feito pelos engenheiros civis Francisco Roberto Monteiro Silva Neto e Ailton Roberto dos Santos.
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Os técnicos encontraram problemas de umidade na base da cruz, na cúpula, nos pináculos, nas balaustradas e no acabamento das fachadas. Também havia perda de argamassa, descascamento da pintura à base de cal e raízes crescendo entre as camadas das paredes.
Dentro do Oratório, a água da chuva atingia a abóbada e avançava pelas paredes. A umidade favoreceu o crescimento da vegetação. Em alguns trechos, as raízes penetraram na alvenaria e alcançaram portas e janelas em arco ogival, uma das características da arquitetura neogótica do templo.
O levantamento ainda encontrou infiltrações atrás das imagens religiosas instaladas no altar.
Restauração preservou características históricas
Após a vistoria, foi preparado um conjunto de intervenções para recuperar o imóvel. O projeto passou pela regularização junto ao IRPH e incluiu a retirada da árvore e da vegetação invasora.
Também foram previstos a recomposição das argamassas, a recuperação das peças de madeira, a reposição dos vidros e a revisão das instalações elétricas e hidráulicas. O piso, o escoamento da água da chuva, o calçamento e as escadas do entorno entraram no projeto.
Em março de 2025, um novo memorial descritivo reuniu os danos encontrados no Oratório. O documento registrou rachaduras, infiltrações, infestação biológica, perda de argamassa e oxidação nas ferragens dos pináculos.
A restauração contemplou o mapeamento dos danos, a retirada da vegetação e o tratamento de trincas e fissuras. A laje superior e as platibandas receberam impermeabilização. As esquadrias também foram restauradas.
Um dos cuidados foi manter as características originais da construção. A pintura interna e externa utilizou cal, material empregado tradicionalmente no Oratório. A escolha das cores das esquadrias foi baseada em uma análise das diferentes camadas de tinta encontradas no imóvel.
A retirada da vegetação crescida sobre o monumento foi acompanhada por profissional especializado, devido ao risco de novos danos à estrutura.
A recuperação foi financiada com recursos da Emenda Parlamentar nº 977437/2025. A obra ficou sob responsabilidade da Acqua Engenharia Ltda., com acompanhamento dos engenheiros Francisco Monteiro e Ailton Santos.