João Moreira Salles, empresário, cineasta e fundador da ''Revista Piauí'', dono de uma fortuna estimada em mais de R$ 25 bilhões, afirmou que pode investir na Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo, que será comandada pela GDA Luma, gestora de investimentos norte-americana liderada pelo empresário mexicano Gabriel de Alba.
Torcedor fanático do Glorioso, João seria acionista minoritário no negócio. Segundo o empresário, em entrevista recente ao canal no YouTube ''Arena Alvinegra'', ele e Walter Salles, seu irmão, renomado cineasta e também botafoguense, fariam investimentos no Espaço Lonier, centro de treinamento localizado em Vargem Pequena, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, onde o elenco alvinegro realiza as atividades cotidianas.
A intenção deles é que o local seja amplamente utilizado pelas categorias de base do Botafogo, para fortalecer a formação de jogadores. Essa possibilidade, inclusive, já existia quando a SAF ainda era comandada pelo empresário John Textor.
''A gente precisa entender quem está chegando [GDA Luma], qual é o projeto de quem está chegando, se a pessoa que está chegando [Gabriel de Alba] topa essas condições, que são as mesmas que a gente propôs ao Textor. Se tudo isso estiver alinhado, a gente para pra pensar. O Botafogo continua sendo muito importante para mim e será sempre importante para mim, portanto, eu quero que o Botafogo possa cumprir o seu potencial. E o potencial do Botafogo será cumprido pela base. Então, estou disponível para conversa'', disse, antes de completar.
''Acho que a gente participaria da SAF via Lonier, via base, entendeu? Porque o nosso investimento, que não seria um investimento pequeno, se converteria em participação na SAF, o que nos daria um voto no Conselho. Seria isso, mas sempre minoritário. É muito importante deixar isso muito claro. O Waltinho é muito competente no que faz, e é bom que ele continue fazendo o que ele faz, é importante para o cinema brasileiro, para a cultura brasileira. Eu sei fazer as minhas coisas também, e eu preciso continuar a fazê-las'', pontuou.
Gestão do futebol, não
João Moreira Salles, vale ressaltar, foi um dos elaboradores do projeto que transformou o Botafogo em SAF. O cineasta, porém, descarta participar da gestão do futebol alvinegro. Isso porque, segundo ele, não dispõe de conhecimento suficiente para tal função.
''Para a gente estava claríssimo, sempre esteve claríssimo, continua claríssimo: a gente não quer se envolver com a gestão do Botafogo. Por uma razão muito simples: o Botafogo não precisa de amadores, e nós seríamos amadores no futebol. O que a gente entende? Eu sou um cara que vai ao jogo e torce. De vez em quando, acho que o técnico escalou bem e a gente toma de 3 a 0. O que eu entendo de futebol? Muito pouco, eu entendo mais da torcida do Botafogo do que do time do Botafogo. E de gestão de clube, então, rigorosamente nada'', afirmou, antes de completar.
''Essa ideia de que você traz duas pessoas simplesmente porque gostam do Botafogo e têm recursos, que essas pessoas são as pessoas certas para tocar o Botafogo, é um equívoco perigoso. Não acreditem nisso. O que a gente precisa é de gestores competentes, de empresários, de pessoas que saibam organizar esse 'carnaval'. Nós não sabemos. O que a gente podia fazer pelo Botafogo é oferecer um projeto de base, porque aí tem uma pessoa [Walter Salles] que entende disso, pois viveu isso intensamente por 10, 12 anos, fez muitas amizades, tem muitos interlocutores qualificados no Brasil e fora do Brasil, e esse projeto podia ser oferecido. É mais um projeto de educação do que um projeto esportivo, porque o projeto esportivo ficaria por conta dos profissionais do esporte'', concluiu.
Família bilionária
João Moreira Salles, de 64 anos, e Walter Moreira Salles Júnior, de 70, são netos de João Theotônio Moreira Salles, fundador do Unibanco. Em novembro de 2008, a referida instituição se uniu ao Itaú, gerando o conglomerado Itaú Unibanco. Essa, vale destacar, é considerada uma das maiores fusões da história do setor financeiro do hemisfério sul.
João e Walter têm dois irmãos, Fernando e Pedro, ambos também de sobrenome Moreira Salles. Somando os quatro, a fortuna da família ultrapassa os R$ 150 bilhões.