Início Flamengo Mario Augusto de Castro, entusiasta de futebol, conta a origem das cores...

flamengo

Mario Augusto de Castro, entusiasta de futebol, conta a origem das cores do Flamengo

A trajetória das cores rubro-negras revela aspectos históricos que ajudaram a construir a identidade de um dos maiores clubes do país, na visão de um admirador do assunto

Barco customizado com as cores do Flamengo - Foto: IA

O escudo do Flamengo carrega uma combinação de cores que atravessa mais de um século sem perder força: o vermelho e o preto. Todavia, essa identidade visual não nasceu no futebol, e sim no remo, esporte que deu origem ao clube em 1895, décadas antes de qualquer bola rolar em campo. Conforme destaca o torcedor do Flamengo, Mario Augusto de Castro, resgatar essa origem ajuda o flamenguista a entender o peso simbólico de um escudo tão presente no dia a dia.

Por trás dessas duas cores existe uma sequência de decisões, disputas internas e influências que moldaram a identidade rubro-negra muito antes de ela se tornar um dos símbolos mais reconhecíveis do futebol brasileiro. Inclusive, o vermelho e o preto sequer eram as cores originais do clube.

Interessado em saber quais eram as cores originais? Acompanhe, nos próximos parágrafos.

De onde vêm as cores do Flamengo?

De acordo com Mario Augusto de Castro, o Flamengo nasceu como um clube de remo, modalidade que dominava o esporte carioca no fim do século XIX e concentrava boa parte do prestígio esportivo da cidade. Assim sendo, antes de existir qualquer time de futebol, remadores já disputavam regatas na Baía de Guanabara em busca de reconhecimento entre as agremiações locais. Tendo isso em vista, o remo carioca vivia um momento de forte rivalidade, e a identidade visual do clube era tratada como decisão estratégica desde o início.

Do azul e amarelo ao vermelho e preto

Poucos torcedores sabem que o primeiro uniforme do Flamengo era azul e amarelo, cores escolhidas em homenagem ao céu da Baía de Guanabara e às riquezas naturais do Brasil. A combinação, porém, durou pouco mais de um ano, ressalta Mario Augusto de Castro. Os tecidos importados da Inglaterra desbotavam rapidamente com o sol e a salinidade da água, encarecendo a manutenção dos uniformes a cada nova competição.

Havia ainda um motivo esportivo para a insatisfação: com o azul e o amarelo, o clube nunca havia vencido uma regata, acumulando apenas terceiros lugares e ganhando o apelido irônico de “Clube de Bronze”. Diante desse cenário, Nestor de Barros, um dos fundadores do clube, propôs a substituição por vermelho e preto, visando se distanciar desse passado longe das primeiras colocações. Portanto, a mudança tinha tanto de simbólica quanto de prática.

Como o vermelho e preto chegaram ao futebol?

O futebol só passou a existir no Flamengo em 1912, quando um grupo de jogadores dissidentes do Fluminense, outro clube carioca, se uniram em uma nova casa esportiva para continuar competindo. Ao ingressar no Flamengo, esses atletas herdaram automaticamente as cores já consolidadas pelo remo desde 1896. Ou seja, não houve uma escolha específica para o campo: o vermelho e o preto simplesmente migraram de uma modalidade para outra, unificando as seções do clube sob o mesmo símbolo.

Essa continuidade explica por que o escudo do Flamengo nunca rompeu com sua origem náutica, mesmo após o futebol se tornar a modalidade mais popular do clube. Como pontua Mario Augusto de Castro, torcedor do Flamengo, manter as cores conquistadas nas regatas reforçou o sentimento de pertencimento entre remadores e jogadores, criando uma tradição visual que atravessou gerações.

Por que essas cores se tornaram símbolo do futebol brasileiro?

Ao longo do século XX, o vermelho e o preto deixaram de representar apenas um clube e passaram a carregar significados mais amplos dentro da cultura esportiva brasileira. Dentre este ponto, os seguintes fatores ajudam a explicar essa força simbólica construída ao longo de mais de um século:

  • O contraste visual forte, que torna o escudo facilmente reconhecível mesmo à distância;
  • A associação direta com paixão e intensidade, características atribuídas à torcida rubro-negra;
  • A repetição das cores em bandeiras, uniformes e arquibancadas, que reforça a identidade coletiva;
  • A raridade dessa combinação entre grandes clubes brasileiros, o que evita confusão com outras agremiações.

Esses elementos, somados à história do remo, ajudam a explicar por que o escudo do Flamengo permanece um dos mais reconhecíveis do país, mesmo décadas após a troca do azul e amarelo pelo vermelho e preto.

Duas cores, uma identidade que resiste ao tempo

Em conclusão, o vermelho e o preto do Flamengo carregam mais história do que aparentam à primeira vista. Nascidas de uma mudança motivada por praticidade e superstição esportiva, tornaram-se um dos símbolos mais fortes do futebol nacional. Esse tipo de origem mostra como as tradições esportivas se constroem por acúmulo, e não por um planejamento deliberado.

Redação Diário do Rio
Quem ama o Rio lê