A rodovia RJ-124, conhecida como Via Lagos, foi alvo de um alerta técnico sobre risco de desabamento repentino do pavimento. O documento, enviado pela concessionária CCR ao DER-RJ em julho, atribui o problema a falhas nas estruturas de drenagem da via.
Segundo o relatório, há problemas considerados críticos em pelo menos sete pontos entre os quilômetros 0 e 30, no trecho que liga Rio Bonito a São Pedro da Aldeia. Entre as ocorrências descritas estão rachaduras, trincas, infiltrações e rupturas em bueiros, com possibilidade de abertura de crateras e afundamento da pista.
Concessionária cita impasse para fazer obras
A CCR afirma que não possui autorização para executar as intervenções necessárias para evitar o desabamento. A empresa sustenta que as obras não fazem parte das obrigações originais do contrato de concessão de 1996.
De acordo com a concessionária, os termos aditivos que estenderam a concessão da Via Lagos até 2047 incluíam essas intervenções, mas foram julgados ilegais pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro em 2022. Por isso, segundo a empresa, não seria possível colocá-las em prática neste momento.
TCE-RJ nega bloqueio para manutenção de segurança
O entendimento da concessionária, porém, é contestado pela própria Corte de Contas. Em resposta ao jornal O Globo, o gabinete do conselheiro relator Rodrigo do Nascimento afirmou que nenhuma decisão do TCE-RJ impede obras de engenharia ou serviços de manutenção voltados à segurança na Via Lagos.
Na ocasião, o tribunal havia questionado a prorrogação por entender que os aditivos poderiam impactar o valor do pedágio sem comprovação de vantagem técnica ou econômica para o poder público e para os usuários. Depois de uma suspensão temporária para negociações de modernização contratual, o processo voltou a tramitar normalmente.
Órgãos reguladores acompanham a situação
Agetransp e DER-RJ informam que fiscalizam a rodovia, avaliam as intervenções necessárias e mantêm tratativas para priorizar melhorias no sistema de drenagem. Enquanto isso, o alerta técnico reforça a preocupação com a segurança dos motoristas que trafegam pelo trecho.