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Eleições 2026

Benedita acusa Senado de segurar fim da escala 6x1 para não beneficiar Lula

Candidata ao Senado pelo PT, Benedita da Silva, número 131, defende o fim da escala 6x1, apoia a PEC da Segurança e apresenta propostas para saúde, mulheres, cultura e população idosa

Benedita da Silva - Foto: Gabriel Subtil/DIÁRIO DO RIO

A candidata ao Senado pelo Rio de Janeiro Benedita da Silva (PT), número 131, acusou setores do Senado de retardarem a votação do fim da escala de trabalho 6x1 por receio de que uma eventual aprovação beneficie eleitoralmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em entrevista a Felipe Lucena, do DIÁRIO DO RIO, Benedita defendeu a adoção da escala 5x2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso.

“Eles acham que, se derrubar a escala 6x1 — nós queremos a escala 5x2 —, o Lula vai ser eleito”, afirmou Benedita da Silva.

Na avaliação da candidata, o debate sobre a jornada de trabalho estaria sendo contaminado pelo calendário eleitoral. Benedita já havia defendido a proposta durante passagem por Três Rios, quando relacionou o fim da escala 6x1 à qualidade de vida e à situação das mulheres.

Para a petista, as mulheres são especialmente afetadas pela jornada atual. Além do trabalho profissional, muitas ainda concentram as tarefas domésticas e os cuidados com filhos, idosos e outros familiares.

A ex-governadora também rejeitou a ideia de que a redução da jornada seja necessariamente prejudicial à economia. Segundo ela, vários direitos trabalhistas enfrentaram resistência antes de serem incorporados à legislação brasileira.

Benedita defende inteligência na segurança pública

Na segurança, Benedita da Silva defendeu uma política baseada em inteligência, investigação e planejamento, com menos dependência de operações marcadas por confrontos armados.

A candidata citou a prisão do traficante Elias Maluco, apontado como responsável pelo assassinato do jornalista Tim Lopes, durante sua passagem pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Segundo Benedita, as forças de segurança acompanharam os movimentos do criminoso até encontrar o momento adequado para realizar a prisão sem troca de tiros. Para ela, o episódio mostra que inteligência policial pode aumentar a eficiência das operações e reduzir os riscos para agentes e moradores.

A candidata afirmou que segurança pública exige treinamento, valorização profissional, tecnologia e integração entre as forças. Também se posicionou contra o incentivo ao armamento indiscriminado da população.

Na avaliação da petista, o combate ao crime não pode depender apenas de incursões em comunidades. Ela defende investigação financeira, controle de armas, uso de tecnologia e maior coordenação entre União, estados e municípios.

Apoio à PEC da Segurança

Benedita também declarou apoio à PEC da Segurança Pública e afirmou que pretende trabalhar pela aprovação da proposta caso seja eleita para o Senado.

A candidata defende maior integração entre forças federais, estaduais e municipais e uma divisão mais clara das responsabilidades na área de segurança.

Ela criticou a demora do Congresso na análise de temas que considera urgentes, como segurança pública, feminicídio e redução da jornada de trabalho.

Benedita ainda defendeu investimentos na formação dos policiais, inclusive para o atendimento a mulheres vítimas de violência. Segundo ela, treinamento adequado também pode diminuir a exposição da população e dos próprios agentes durante operações.

Complexos públicos de saúde

Na saúde, a candidata propôs a criação de grandes complexos públicos capazes de reunir diferentes tipos de atendimento em um mesmo local.

A ideia é concentrar consultas, exames, odontologia, oftalmologia e procedimentos de maior complexidade, evitando que o paciente precise circular por diferentes hospitais e clínicas para completar um tratamento.

Benedita da Silva também defendeu o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e o aumento da produção brasileira de medicamentos, vacinas e insumos.

Para a candidata, instituições como a Fiocruz e o Instituto Butantan precisam receber investimentos para reduzir a dependência do Brasil de laboratórios estrangeiros. Ela considera que a produção nacional pode ainda diminuir custos e ajudar a manter o abastecimento do SUS e da Farmácia Popular.

Pacto nacional contra o feminicídio

A violência contra as mulheres foi outro tema abordado por Benedita durante a entrevista.

A candidata defendeu um pacto nacional contra o feminicídio que reúna Executivo, Legislativo, Judiciário, forças de segurança e organizações da sociedade civil.

Para Benedita, a proteção não pode começar apenas depois das agressões mais graves. Mulheres ameaçadas precisam encontrar apoio para deixar o ambiente em que vivem com o agressor, com acesso a moradia temporária, renda e atendimento psicológico.

A petista também chamou atenção para crianças e adolescentes que perdem as mães em casos de feminicídio. Ela defende acompanhamento psicológico, proteção social e medidas para garantir a permanência dessas crianças na escola.

A participação de igrejas e lideranças religiosas no combate à violência contra a mulher já havia sido defendida por Benedita da Silva, que considera necessário trabalhar também na conscientização dos homens antes que os episódios de violência avancem.

Defesa do Pix gratuito

Ao falar de economia, Benedita da Silva defendeu que o Pix continue gratuito para os cidadãos.

“Pix é do brasileiro”, declarou Benedita da Silva.

Segundo a candidata, uma eventual cobrança atingiria principalmente trabalhadores assalariados, informais e pequenos empreendedores que usam o sistema de pagamentos no cotidiano.

Benedita também defendeu a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil. Para ela, a política tributária deve levar em conta despesas básicas das famílias, como alimentação, transporte, moradia, medicamentos e educação.

Racismo ambiental e comunidades quilombolas

No meio ambiente, a candidata relacionou a preservação ambiental às condições de vida das populações mais pobres.

Segundo Benedita, comunidades negras, indígenas e quilombolas estão entre as mais atingidas por enchentes, falta de saneamento, contaminação, queimadas e desmatamento.

Ela citou o Quilombo da Marambaia, onde moradores enfrentaram conflitos envolvendo a titulação das terras e a circulação pelo território.

A candidata defendeu a regularização fundiária de comunidades quilombolas, ações contra o garimpo ilegal, prevenção de queimadas e incentivo à agricultura familiar.

O tema também apareceu durante encontro de Benedita com o prefeito de Sapucaia, quando a candidata discutiu propostas voltadas aos produtores rurais.

Fé cristã e política

Evangélica desde os 26 anos, Benedita da Silva criticou o uso da religião como ferramenta de disputa partidária.

Segundo a candidata, sua atuação política procura seguir princípios cristãos ligados ao combate à fome, ao acolhimento dos mais vulneráveis e à busca pela harmonia.

Ela também disse que a fé não deve ser usada para espalhar notícias falsas, alimentar intolerância ou dividir a sociedade.

A relação entre religião, cultura e diversidade também apareceu em uma agenda recente na Mangueira, onde Benedita defendeu o respeito entre diferentes crenças e valorizou as escolas de samba.

Continuidade da Lei Aldir Blanc

Na cultura, Benedita destacou sua atuação na aprovação das leis Aldir Blanc 1 e 2, criadas para garantir recursos ao setor cultural.

A candidata lembrou as dificuldades enfrentadas por artistas durante a pandemia, quando profissionais ficaram sem renda e muitos precisaram organizar campanhas para comprar alimentos ou vender instrumentos de trabalho.

Caso eleita, Benedita pretende atuar nas comissões ligadas à Cultura e à Saúde. Ela defende recursos permanentes para o setor cultural e políticas que reconheçam a cultura também como atividade econômica e fonte de emprego.

Propostas para jovens e idosos

Entre as prioridades apresentadas por Benedita da Silva também estão políticas voltadas aos jovens de favelas e periferias.

A candidata defendeu investimentos em educação, cultura, qualificação profissional e programas de primeiro emprego. Segundo ela, o poder público precisa oferecer oportunidades aos jovens que vivem em regiões marcadas pela violência e pela falta de serviços.

Outra proposta é ampliar políticas contra o etarismo e voltadas à população idosa.

Benedita afirma que o envelhecimento precisa ocorrer com autonomia, participação social e acesso à saúde. A pauta já havia sido abordada em reportagem do DIÁRIO DO RIO, na qual a candidata prometeu priorizar o envelhecimento digno e o combate ao etarismo no Senado.

Benedita aparece na frente em pesquisa para o Senado

Benedita da Silva aparece numericamente à frente na disputa pelas duas vagas do Rio de Janeiro para o Senado.

Na pesquisa Quaest divulgada na terça-feira (8), Benedita registrou 15% das intenções de voto.

Marcelo Crivella (Republicanos) aparece com 8%. Carlos Jordy (PL), Pedro Paulo (PSD) e Carlos Portinho (PL) têm 6% cada.

O levantamento ouviu 1.302 eleitores entre os dias 4 e 7 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pela TV Globo e registrada na Justiça Eleitoral sob o número RJ-04768/2026.

Durante a entrevista, Benedita pediu votos também para Lula, candidato à Presidência com o número 13; Eduardo Paes, candidato ao Governo do Estado com o número 55; e Pedro Paulo, candidato ao Senado com o número 555.

Ao defender seu retorno ao Senado, Benedita da Silva citou a experiência acumulada como vereadora, deputada constituinte, senadora, vice-governadora, governadora, ministra e deputada federal.

Assista à entrevista completa com Benedita da Silva.

Quintino Gomes Freire
Quintino Gomes Freire Diretor-Executivo
Defensor do Carioca Way of Life