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SETEMBRO AMARELO

Orçamento para saúde mental no Estado do Rio não atinge meio por cento ao ano

Em 2025, dos R$ 12 bilhões previstos no orçamento da Secretaria de Saúde do Estado do Rio, somente R$ 57 milhões foram destinados à Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)

Imagem representa a saúde mental - Foto: Creative Commons

Em 2025, dos R$ 12 bilhões previstos no orçamento da Secretaria de Saúde do Estado do Rio, somente R$ 57 milhões foram destinados à Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Isso representa um investimento de apenas 0,4% no tratamento psicológico e psiquiátrico em todo o território fluminense. Os dados são do Portal da Transparência do Estado e apontam para um cenário preocupante para a saúde mental.

Para o candidato a deputado estadual Fred Procópio, o recurso não corresponde à realidade enfrentada pela população, destacando a necessidade de o Governo do Estado assumir parte do atendimento e dar suporte aos municípios.

“Hoje, as prefeituras arcam quase sozinhas com o custeio do acolhimento em saúde mental. As cidades menores que não atendem aos critérios populacionais para ter um CAPS (Centro de Atendimento Psicossocial) são obrigadas a enviar seus pacientes aos centro vizinhos, muitas vezes sobrecarregando uma estrutura já deficitária. A gestão estadual precisa ajudar a financiar esse serviço”, destaca Fred.

Entre as propostas do candidato, está a de que o Estado amplie a rede de assistência psicossocial com a implantação de centros regionais, de forma a absorver a demanda dos municípios menores e a ampliar o atendimento daqueles que possuem fila de espera.

Saúde mental infantojuvenil

Uma pesquisa divulgada em março deste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que três em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmam que se sentem tristes sempre ou na maioria das vezes. Proporção semelhante também revelou que já teve vontade de se machucar de propósito. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe) entrevistou 118.099 adolescentes que frequentavam 4.167 escolas públicas e privadas de todo o Brasil em 2024, e a amostra é considerada representativa do universo de alunos do país.

“Nossas crianças e adolescentes hoje estão expostas a padrões irreais de comparação nas redes sociais, ao cyberbullying e à pressão por validação. Sem falar do vício nas bets, que tem destruído a vida dos jovens. É um cenário preocupante que exige uma participação efetiva do Executivo. Não dá para contarmos apenas com o Governo Federal. É preciso agir”, ressalta o candidato.

Para Fred Procópio, esse cuidado deve começar na atenção básica, com a capacitação dos profissionais que atuam nos Postos de Saúde da Família (PSF) e nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), possibilitar que identifiquem, logo na triagem, os pacientes que necessitam de acompanhamento especializado. Além das escolas, que são parte fundamental da formação educacional e humana das crianças e adolescentes.

“Precisamos fortalecer as famílias, qualificar as redes de proteção, ampliar o acesso ao tratamento, além de investir na escola com equipes multidisciplinares de identificação precoce. São respostas conjuntas para um problema de saúde pública”, finaliza.

Felipe Lucena
Felipe Lucena é jornalista, roteirista, redator, escritor, cronista. Filho de nordestinos, nasceu e foi criado na Zona Oeste do Rio de Janeiro, em Curicica. Sempre foi (e pretende continuar sendo) um assíduo frequentador das mais diversas regiões da cidade do Rio de Janeiro.