Fechado desde a década de 80, o antigo Cine Matilde, um dos símbolos dos tempos áureos de Bangu, será desapropriado pela Prefeitura do Rio para dar lugar a um equipamento cultural. Inaugurado em 1963, o imóvel foi declarado de utilidade pública pelo Decreto nº 58.645, assinado pelo prefeito Eduardo Cavaliere (PSD).
A medida prevê a implantação de um equipamento cultural no endereço. O texto publicado no Diário Oficial não detalha o projeto arquitetônico para o local. A intervenção faz parte do Avança Bangu, pacote de ações para o bairro que prevê, entre outras medidas, a criação de um boulevard no calçadão comercial.
Segundo o projeto anunciado para o espaço, a ideia é recuperar o antigo cinema e transformá-lo em um equipamento cultural multifuncional, com sala de teatro para 250 pessoas, duas salas de cinema, área para exposições e espaço de convivência com bar e restaurante no rooftop.
Instalado no interior da Galeria Matilde, na Avenida Ministro Ary Franco, o cinema, quando aberto, chamava atenção pelo conforto e pela estrutura para a época. Eram 1.360 poltronas estofadas, ar refrigerado e uma tela oval, pensada para garantir boa visibilidade de diferentes pontos da plateia. Até o sistema de climatização tinha sua particularidade. Para enfrentar o intenso calor de Bangu, o ar-condicionado utilizava gelo colocado em canaletas.
Após passar por diferentes usos, o imóvel chegou a ser anunciado para venda, em 2024, por R$ 2 milhões, conforme noticiado pelo DIÁRIO DO RIO. No ano passado, o município também visitou o local, acompanhado pelo vereador Felipe Pires.
Casa do Silveirinha também entra no pacote
No mesmo pacote de medidas, a Prefeitura declarou de utilidade pública sete lotes na Rua Silva Cardoso, na Praça da Fé e na Avenida Cônego de Vasconcelos para a implantação do Centro Cultural e Parque Urbano Casa do Silveirinha.
A área abriga o antigo casarão de do Dr. Silveirinha, antigo dono da Fábrica de Tecidos Bangu. Vizinha à Paróquia de São Sebastião e Santa Cecília, a casa é tombada e tem projeto de jardim atribuído a Roberto Burle Marx.
O imóvel, que recebeu presidentes da República na década de 1940, está em estado de abandono. A propriedade foi adquirida junto ao espólio da família pelo empresário Ricardo Haddad.
O projeto prevê a criação de um espaço cultural e de lazer, com museu, áreas para exposições, café, anfiteatro, parque infantil, quadras de areia, academia e áreas de convivência.