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Rock in Rio 2026

Rock in Rio testa ‘fila que não é fila’ e muda a corrida por brindes na Cidade do Rock

Sistema de QR Code permitiu ao público reservar lugar nas ativações, circular pelo festival e receber aviso no celular quando chegava a vez; novidade ganhou força no primeiro fim de semana

Fila em stand do RIR 2026 - Foto: R Granchi

Quem foi ao Rock in Rio 2026 disposto a disputar os brindes mais concorridos encontrou uma novidade que pode parecer contraditória: para entrar na fila, não era mais necessariamente preciso ficar parado nela.

A chamada fila virtual, uma das novidades desta edição do festival, foi colocada à prova no primeiro fim de semana do evento e funcionou em diferentes ativações de marcas. Por meio de um QR Code, o visitante podia se cadastrar, reservar um horário e deixar o espaço enquanto aguardava a vez. O aviso para retornar chegava pelo celular.

A mudança resolve um dos problemas que se tornaram quase parte da paisagem dos grandes festivais: as longas filas diante dos estandes de patrocinadores. Em uma edição em que os brindes ganharam status de atração paralela, a estratégia ajudou a transformar o tempo de espera em tempo para circular pela Cidade do Rock.

Não é pouca coisa. O Rock in Rio reúne mais de 90 marcas em 2026, com mais de 100 ativações e a previsão de distribuição de cerca de 1 milhão de brindes ao longo dos sete dias.

Brinde virou atração

A corrida pelos presentes oferecidos pelas marcas já não é novidade em festivais. O que mudou é a dimensão que essa disputa ganhou no Rock in Rio.

Mini câmeras digitais, bolsas, leques, acessórios, copos e outros itens passaram a circular nas redes sociais antes mesmo da abertura dos portões. Durante o primeiro fim de semana, a procura foi suficiente para transformar alguns estandes em pontos de passagem tão disputados quanto determinadas atrações do festival.

Uma visitante, por exemplo, dedicou praticamente um dia inteiro às ativações e conseguiu reunir mais de 20 brindes. Entre eles estavam bolsas, leques, uma pelúcia e uma das cobiçadas minicâmeras digitais.

Nesse cenário, a fila deixou de ser apenas um detalhe operacional. Ela passou a fazer parte da experiência do público.

Do celular para o estande

A lógica da fila virtual é simples: o público aponta a câmera do celular para o QR Code disponível na ativação, faz o cadastro e recebe uma posição ou horário para retornar. Quando chega a vez, uma notificação avisa que é hora de voltar.

A tecnologia utilizada em algumas ativações é a Dropfila, da Branch77. A solução foi criada justamente para substituir a espera física pela espera digital, com comunicação por canais como WhatsApp, SMS ou e-mail. A plataforma também permite que os responsáveis pelo estande acompanhem a movimentação e o tempo médio de espera.

A proposta já vinha sendo discutida pelo mercado de live marketing antes do festival. O problema ganhou evidência depois das filas registradas em grandes eventos, como o Lollapalooza, onde algumas ativações chegaram a concentrar grande número de pessoas em busca de brindes.

No Rock in Rio, entretanto, a solução passou pelo teste mais importante: o do público circulando pela Cidade do Rock.

A espera deixa de consumir o festival

A principal diferença não está necessariamente em reduzir a quantidade de pessoas interessadas em uma ativação. O desejo pelo brinde continua existindo. O que muda é onde o visitante passa o tempo enquanto espera.

Em vez de permanecer durante dezenas de minutos diante de um estande, ele pode assistir a parte de um show, conhecer outra ativação, comer, encontrar amigos ou simplesmente caminhar pelo festival.

A experiência do primeiro fim de semana mostrou por que isso faz diferença. O público que entrou na lógica da fila virtual conseguiu encaixar as ativações na programação do dia, em vez de organizar o dia inteiro em torno delas.

A estratégia é particularmente interessante para experiências de capacidade limitada, nas quais o atendimento leva alguns minutos e existe uma quantidade determinada de participantes por horário.

É o caso de ativações com personalização, simuladores, experiências imersivas e distribuição de brindes condicionada a alguma interação.

KitKat foi uma das marcas a apostar na novidade

Entre as marcas que adotaram a solução está a KitKat. O estande de três andares da marca, com vista para o Palco Mundo, tem acesso organizado por fila virtual.

O visitante lê o QR Code, faz o cadastro e escolhe o horário para participar da experiência VIB — sigla para Very Important Breaker. O espaço reúne DJ, personalização, charm bar e distribuição de brindes.

A escolha do horário também resolve outro problema típico dos festivais: o conflito entre uma ativação concorrida e um show esperado pelo visitante.

A pessoa não precisa decidir entre enfrentar uma fila ou perder uma apresentação. Pode programar a visita ao estande e retornar próximo do horário marcado.

Outras marcas, como Ifood e Itaú, também utilizaram a tecnologia durante o festival.

Uma mudança que pode ir além do Rock in Rio

A experiência do primeiro fim de semana indica uma mudança de comportamento que pode ultrapassar os limites da Cidade do Rock.

Se o modelo funciona em um evento com centenas de milhares de pessoas, dezenas de marcas e uma quantidade enorme de ativações simultâneas, a tendência é que outras experiências presenciais passem a tratar a fila de maneira diferente.

O princípio é parecido com o que já acontece nos brinquedos do próprio Rock in Rio, nos quais o visitante pode fazer agendamento em vez de permanecer durante longos períodos aguardando fisicamente.

A tecnologia, portanto, não elimina a espera. Ela devolve ao visitante o controle sobre o que fazer enquanto espera.

No primeiro fim de semana do Rock in Rio 2026, essa parece ter sido uma das novidades que mais fizeram sentido longe dos palcos. Afinal, em um festival no qual o tempo é disputado entre shows, comida, encontros, fotos, brinquedos e brindes, talvez o maior presente seja justamente não precisar ficar parado.

Renata Granchi
Renata Granchi é jornalista e publicitária com mestrado em psicologia. Passou pela TV Manchete, TV Globo, Record TV, TV Escola e Jornal do Brasil. Escreveu dois livros didáticos e atualmente é diretora do Diário do Rio. Em paralelo, presta consultoria em comunicação e marketing para empresas do trade.