Foram 127 dias na estrada, 2.200 quilômetros percorridos e mais de 50 municípios atravessados. Aos 60 anos, Luiz Aragão terminou nesta terça-feira (08/09) a primeira expedição pela Volta ao Rio, trilha de longo curso que percorre diferentes regiões do estado. Ele começou e terminou a jornada no Parque Nacional da Tijuca.
Mineiro e morador de Taubaté, em São Paulo, Aragão saiu para a viagem em 1º de maio. A proposta era testar, na prática, a estrutura e a logística do percurso. No caminho, alternou trechos a pé, de bicicleta e de caiaque.
Uma das principais dúvidas antes da partida era como seria recebido nas cidades e comunidades por onde passaria. A experiência acabou surpreendendo. “Nesses quatro meses, ao olhar nos olhos das pessoas mais simples, ao ver quem me abriu a porta de casa sem nem me conhecer, eu voltei a ter esperança. Volto dessa caminhada muito mais otimista em relação ao ser humano”, contou.
A expedição também serviu para levantar informações que poderão ajudar outros visitantes, como tempo de deslocamento, locais para hospedagem, pontos de água, banheiros, wi-fi, aluguel de caiaques e opções de resgate.
O percurso completo da Volta ao Rio tem 3.500 quilômetros. Nesta primeira viagem, Aragão percorreu 2.200 quilômetros.
Trechos de bicicleta e caiaque
A diversidade de terrenos foi uma das características da viagem. A trilha combina modalidades diferentes e, em alguns pontos, foi preciso deixar a caminhada de lado para seguir de bicicleta ou entrar na água.
“O verdadeiro desafio técnico foi testar a logística da multimodalidade: alternar da bota de caminhada para o pedal e depois entrar no caiaque com mochila e tudo para remar centenas de quilômetros por rios e lagoas que pouquíssima gente navegou”, disse Aragão.
Entre os trechos que mais chamaram a atenção dele estão a descida do Parque Estadual do Desengano até o litoral e cerca de 100 quilômetros de navegação pelo Rio Paraíba do Sul.
Rota passa por quase 100 unidades de conservação
A Volta ao Rio foi criada pela Rede Brasileira de Trilhas em parceria com instituições ambientais e conecta áreas naturais de diferentes partes do estado. O percurso passa pela Região Serrana, Costa Verde e Região dos Lagos e inclui unidades como os parques nacionais da Tijuca, Serra dos Órgãos e Itatiaia, além do Parque Estadual dos Três Picos.
Ao todo, são quase 100 unidades de conservação integradas ao projeto. A trilha também passa por áreas onde vivem pequenos produtores rurais e comunidades que oferecem hospedagem e serviços aos visitantes.
Além de estimular o turismo, os responsáveis pelo projeto veem nas trilhas uma forma de aumentar a presença de pessoas em áreas isoladas. Para Aragão, isso também ajuda a proteger esses locais. “Onde não tem trilha e presença de pessoas, acontecem ilícitos como caça, desmatamento e gado solto. Onde a trilha passa e é utilizada, os ilícitos somem. Ter pessoas caminhando é uma forma direta de fiscalizar, proteger o meio ambiente e evitar que agressões à natureza aconteçam em locais isolados”, afirmou.
A proposta da Volta ao Rio é chegar aos 92 municípios fluminenses. Segundo Hugo de Castro, coordenador-geral do projeto, a expedição de Aragão foi o primeiro teste de uma rota que já mobilizou mais de 50 cidades. "O objetivo final é conectar os 92 municípios do estado do Rio de Janeiro por meio da rede de trilhas. A expedição de teste foi o pontapé inicial que já mobilizou mais de 50 cidades e atrai novos municípios a cada dia. Queremos dar opções para que o visitante monte seu próprio circuito e descubra o Rio de Janeiro por novos caminhos”
A expectativa é que os dados reunidos durante os quatro meses de viagem sejam usados para orientar quem pretende fazer os trechos da trilha por conta própria.