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Rock in Rio sem perrengue: 7 cuidados para o corpo aguentar a maratona de shows

Horas em pé, calor, pouca água, alimentação irregular e produções elaboradas podem cobrar seu preço; especialistas explicam como aproveitar o festival sem deixar a saúde em segundo plano

Alguns cuidados podem ser feitos para prevenir dores no corpo em grandes festivais, como o Rock in Rio - Foto: IA

O planejamento para o Rock in Rio costuma começar pelo line-up: quais shows assistir, que horas chegar, como ir de um palco para outro e, claro, qual look usar. Só que existe outra preparação que pode definir quanto tempo você realmente vai conseguir aproveitar na Cidade do Rock: preparar o corpo para uma rotina de muitas horas em pé, caminhando, dançando e enfrentando calor e filas.

Um sapato errado pode acabar com a noite antes do headliner. Pouca água pode provocar mal-estar. Energéticos em excesso podem fazer o coração disparar. E até o penteado escolhido para completar o look pode causar desconforto depois de horas.

Especialistas explicam sete cuidados simples para fazer a memória do festival ficar nos shows, e não nos perrengues.

1. Não estreie o sapato do look no festival

Coturnos, botas e tênis podem completar a produção, mas o Rock in Rio não é o melhor lugar para descobrir se aquele calçado novo machuca.

Para o ortopedista Dr. Igor Fiorese Vieira, o número de horas em pé e os deslocamentos precisam entrar na escolha tanto quanto a estética.

“Dê preferência a um calçado que você já tenha utilizado e saiba que é confortável. Bom ajuste, estabilidade e amortecimento fazem diferença quando serão muitas horas caminhando ou em pé. Um sapato novo pode criar pontos de pressão e bolhas, e um calçado inadequado pode aumentar o desconforto não apenas nos pés, mas também em tornozelos, joelhos e região lombar”, explica.

2. Não deixe para beber água quando a sede apertar

Garantir um bom lugar para o show e evitar filas no banheiro fazem algumas pessoas reduzirem a ingestão de água. Em um dia de calor, caminhada e dança, porém, essa economia pode terminar em desidratação.

A nefrologista Dra. Renata Asnis explica que o ideal é distribuir a hidratação durante o evento.

“Em um festival longo, perdemos líquidos pelo suor sem necessariamente perceber o quanto. A hidratação precisa acontecer ao longo do dia. Sede intensa, boca seca, tontura e redução do volume de urina podem indicar que o organismo já está sentindo essa falta de líquidos. Também não é adequado ignorar repetidamente a vontade de urinar por muitas horas”, orienta.

3. Não tente substituir o descanso por energético

Quando o cansaço aparece antes daquele show tão esperado, energético pode parecer a solução perfeita. O problema é transformar cafeína em combustível para continuar por horas.

Segundo o cardiologista Dr. Daniel Petlik, principalmente quando há associação com outras bebidas estimulantes ou álcool, é preciso ter cautela.

“Energéticos podem elevar temporariamente a frequência cardíaca e a pressão arterial e provocar palpitações em algumas pessoas. O cuidado deve ser ainda maior com quantidades elevadas e com a associação ao álcool. Depois de muitas horas andando e dançando, sentir cansaço é esperado. Tentar mascarar continuamente esse sinal com estimulantes não é uma boa estratégia”, alerta.

4. Comer só quando o festival acabar pode virar problema

Pular refeições para não perder espaço na grade também pode cobrar seu preço. Depois de horas sem comer, exagerar em uma refeição pesada pode trazer refluxo, estufamento e outros desconfortos bem na hora do show.

Para o gastroenterologista Dr. Michel Fernandes, vale pensar na alimentação antes mesmo de chegar ao evento.

“Uma refeição equilibrada antes de sair de casa ajuda a começar o festival com energia. Durante o evento, é interessante evitar períodos muito prolongados sem alimentação e ter cautela com excesso de gordura e álcool. O objetivo é manter energia sem provocar um desconforto gastrointestinal que prejudique o restante da programação”, afirma.

5. Penteado lindo não precisa significar couro cabeludo doendo

Tranças, coques e rabos de cavalo são ótimos aliados para enfrentar calor e ainda fazem parte da estética dos festivais. Mas quanto mais apertado não significa melhor.

A dermatologista e tricologista Dra. Bianca Almeida chama atenção para a tensão exercida sobre os fios.

“Se o penteado está provocando dor ou aquela sensação constante de cabelo sendo puxado, ele provavelmente está tensionado demais. A tração excessiva pode favorecer quebra e, quando esse tipo de penteado é repetido com frequência, contribuir para alopecia de tração. É possível prender o cabelo e manter o visual sem exigir tanto dos fios”, explica.

6. Glitter, gel e fixador também precisam sair quando você chegar em casa

Depois do último show, a vontade pode ser simplesmente cair na cama. Só que dormir com toda a produção do festival não é a melhor ideia.

“Gel e outros produtos de fixação podem acumular resíduos, principalmente quando usados em grande quantidade. Glitter e purpurina também podem provocar irritação em pessoas mais sensíveis. Mesmo chegando tarde, vale retirar os produtos da pele e fazer uma higienização adequada do cabelo e do couro cabeludo”, orienta Bianca.

7. Seu corpo não sabe que ainda falta o seu artista favorito

Talvez a dica mais importante seja também a mais difícil para quem montou uma programação quase impossível: respeitar os sinais do corpo.

Tontura, fraqueza, palpitações importantes, dor persistente ou mal-estar não deveriam ser tratados como um obstáculo a ser vencido até o próximo show. Encontrar momentos para sentar, comer, beber água e descansar também faz parte da estratégia para conseguir permanecer no festival.

Como resume Daniel Petlik, “o organismo não deixa de precisar de recuperação porque estamos em um momento de diversão. Se aparece um sintoma importante, insistir para não perder uma atração pode transformar algo que deveria ser prazeroso em um problema”.

No fim, o melhor planejamento para o Rock in Rio não é aquele que consegue encaixar o maior número possível de shows. É aquele que permite chegar ao artista mais esperado ainda com energia para cantar, dançar e aproveitar.

Renata Granchi
Renata Granchi é jornalista e publicitária com mestrado em psicologia. Passou pela TV Manchete, TV Globo, Record TV, TV Escola e Jornal do Brasil. Escreveu dois livros didáticos e atualmente é diretora do Diário do Rio. Em paralelo, presta consultoria em comunicação e marketing para empresas do trade.