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CRIMINALIDADE

RJ lidera ranking nacional de roubo de cargas e roubos de medicamentos disparam em 2026

Estado concentrou 36,6% dos prejuízos do país no primeiro semestre; trechos urbanos e período da madrugada ganharam força entre as ocorrências

Rio de Janeiro concentrou 36,6% dos prejuízos nacionais com roubo de cargas no primeiro semestre de 2026 - Foto: Reprodução

O Rio de Janeiro assumiu a liderança nacional no prejuízo causado por roubo de cargas no primeiro semestre de 2026, ultrapassando São Paulo e concentrando 36,6% das perdas registradas no país. Ao mesmo tempo, o período foi marcado por uma mudança no perfil das quadrilhas, com aumento dos ataques em trechos urbanos, maior concentração de ocorrências durante a madrugada e forte crescimento dos roubos de medicamentos.

Os dados fazem parte do Report nstech de Roubo de Cargas, elaborado pela nstech a partir de informações das gerenciadoras de risco BRK, Buonny e Opentech, integradas à TNS (Transportation Network System) da empresa. O levantamento aponta uma reconcentração do crime no Sudeste, que passou a responder por 77,2% dos prejuízos nacionais, contra 60,5% no primeiro semestre de 2025, avanço de 16,7 pontos percentuais.

RJ ultrapassa SP

O RJ foi o principal responsável pelo avanço do Sudeste. O estado passou de 16,1% para 36,6% de participação nos prejuízos nacionais em um ano, alta de 20,5 pontos percentuais.

A capital fluminense aparece isoladamente como o município com maior concentração de perdas, respondendo por 20,1% do prejuízo nacional. Na sequência aparecem Duque de Caxias, com 6%, São Gonçalo, com 3%, e Nova Iguaçu, com 1,9%. Juntos, os quatro municípios representam 31% de todo o prejuízo provocado por roubos de cargas no país.

São Paulo ficou na segunda colocação, com 30,9% das perdas, ante 34,2% no primeiro semestre de 2025. No estado paulista, 57% dos roubos ocorreram na rota SP x SP, que sozinha respondeu por 17,6% dos prejuízos nacionais.

Entre os municípios de São Paulo, a capital concentrou 8,1% das perdas do país, seguida por Cajamar, com 2,1%, e São Bernardo do Campo, Miracatu e Santos, com 2% cada.

Minas Gerais permaneceu na terceira posição, com 9,3% dos prejuízos, praticamente estável em relação aos 9,1% registrados no mesmo período de 2025. João Pinheiro foi o principal ponto de atenção no estado, respondendo por 2,8% das perdas nacionais.

Ainda no Sudeste, o Espírito Santo registrou cerca de 0,4% dos roubos, abaixo dos 1,2% observados no primeiro semestre do ano passado.

Medicamentos entram no radar das quadrilhas

Além da mudança geográfica, o levantamento identificou uma alteração no perfil das mercadorias mais visadas. As cargas diversas ou fracionadas continuam na liderança, com 36,6% dos prejuízos, ante 32,5% no primeiro semestre de 2025.

Os produtos alimentícios aparecem na segunda colocação, com 24,6% das perdas, praticamente estáveis em relação aos 24,2% registrados no ano anterior.

O destaque, porém, foi o setor farmacêutico. A participação dos medicamentos saltou de 2,8% para 19% dos prejuízos em apenas um ano. Com o avanço de 16,2 pontos percentuais, o segmento passou da sexta para a terceira posição entre os principais alvos das quadrilhas.

Segundo o relatório, o movimento está relacionado à facilidade de revenda desses produtos no mercado paralelo.

Em sentido contrário, os cigarros perderam espaço entre as cargas roubadas. A participação do segmento caiu de 26,4% para 6,3%, fazendo com que o setor passasse à quarta posição. Os eletrônicos também registraram queda significativa, de 7,9% para 1,5% dos prejuízos.

Crime avança em trechos urbanos

O levantamento também mostra uma mudança no local dos ataques. Os trechos urbanos praticamente dobraram sua participação nos prejuízos, passando de 20,4% no primeiro semestre de 2025 para 39,6% em 2026.

A mudança indica uma maior concentração dos ataques nas etapas de distribuição interna e na chamada última milha logística, especialmente em áreas metropolitanas.

Entre as rodovias analisadas, a BR-101 foi a que concentrou a maior parcela dos prejuízos, com 17,1% no primeiro semestre. O índice era de 10,8% no mesmo período de 2025 e vem crescendo desde 2023, quando representava 2,1% das perdas. A BR-116 aparece em seguida, com 8,2% dos prejuízos, contra 4,8% no primeiro semestre do ano passado.

Madrugada vira principal horário dos roubos

Outro ponto de mudança identificado pela pesquisa foi o horário dos ataques. A madrugada passou a liderar com folga, concentrando 32,9% dos prejuízos, mais que o dobro dos 14,4% registrados no primeiro semestre de 2025.

A noite, que anteriormente liderava o ranking, caiu de 38,6% para 24,5%, mas ainda representa uma parcela significativa das ocorrências. Somados, noite e madrugada responderam por 57,4% de todos os prejuízos registrados no período.

A manhã concentrou 26,7% das perdas, enquanto a tarde respondeu por 15,9%. Na divisão por dias da semana, a quinta-feira continuou sendo o dia com maior participação, com 22% dos prejuízos, embora tenha recuado em relação aos 25,7% registrados no primeiro semestre de 2025.

As maiores altas ocorreram no início da semana. A segunda-feira passou de 9,3% para 15,6%, enquanto a terça-feira subiu de 9% para 14,3%. Já os domingos registraram forte queda, passando de 13,2% para 5% das perdas.

 

 

Legenda: Rio de Janeiro concentrou 36,6% dos prejuízos nacionais com roubo de cargas no primeiro semestre de 2026.

Mariana Motta
Mariana Motta Jornalista
Jornalista de gastronomia, cultura e cidade. Movida por histórias que nascem no cotidiano.